Brasília pega fogo e sindicalistas querem a imediata retirada das reformas de pauta

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Eles alegam que o Congresso Nacional e Governo  estão atolados em corrupção. Por isso não têm moral para discutir os assuntos

Fotos: Wilson Aquino

Diante do quadro de “convulsão política” que se instalou no País a partir da delação premiada dos empresários donos da JBS Friboi e que paralisaram os poderes Executivo e Legislativo (Câmara Federal e Senado), sindicalistas de Mato Grosso do Sul querem a imediata retirada de tramitação da  Proposta de Emenda Constitucional 287/16 – Reforma da Previdência – na Câmara dos Deputados  e do PLC 38/2017 – Reforma Trabalhista – no Senado Federal.

“A situação política do país está insustentável diante dessa chuvarada de denúncias de corrupção. Além disso os conteúdos dessas reformas são altamente nocivos à vida dos trabalhadores brasileiros. Por isso precisam ser retiradas imediatamente da pauta”, afirma José Ailton Pinto de Mesquita, coordenador do Sindjufe/MS (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal e Ministério Público da União em Mato Grosso do Sul).

O Sindjufe/MS, que integra o Comitê Estadual Contra as Reformas, entende que um dos itens mais críticos da proposta de reforma trabalhista,“é o fato do Governo jogar sobre os ombros dos trabalhadores a negociação salarial direta com os patrões. Isso não é possível, pois o trabalhador não tem poder de negociar dessa forma, não tem respaldo algum para conseguir avançar em seu próprio benefício”, explica José Ailton.

Antônio César Amaral Medina, coordenador geral do Sindjufe/MS critica a reforma previdenciária e diz que  as autoridades deveriam se preocupar primeiramente com os desvios de verbas públicas, inclusive da previdência e com questões como a sonegação por parte dos grandes empreendimentos como os bancos, que devem bilhões de reais à Previdência. “Sem estancar esses vazamentos e regularizar essas questões, não tem como o governo vir com uma proposta para o trabalhador pagar a conta”, afirma.

Em nota, a Fenajufe afirma ainda que: A probidade dos Poderes da República foi maculada e o equilíbrio democrático inexiste, uma vez comprovada a compra de projetos por parte de empresários, com vistas à obtenção de lucros e vantagens. Fora a negociata de balcão na compra de leis, resta ainda o volume imoral de doações privadas a campanhas eleitorais em todos os cargos, o que novamente submete e torna o parlamento – minúsculo – servil aos financiadores.

O equilíbrio institucional foi rompido e a maior parte da sociedade – trabalhadores e trabalhadoras, minorias e demais grupos sociais – ficou sem poder de contraponto às vultosas somas que irrigam os dutos da corrupção nos poderes da república – também minúscula.

Diante dos fatos, tocar à frente reformas com extremo potencial lesivo ao cidadão comum é um acinte, uma imoralidade, um ato de extrema perversão moral e política. Que as reformas sejam imediatamente retiradas de tramitação, arquivadas.

COMITÊ – O Comitê Estadual Contra as Reformas Previdenciária e Trabalhista convocou uma reunião geral de sindicalistas, federações e centrais sindicais para hoje (30) às 17h30 para discutir novas estratégias de luta contra as reformas. “Depois da nossa presença marcante em Brasília, no histórico dia 24, vamos tomar outras decisões para continuarmos a luta até que essas propostas de reformas sejam de fato retiradas de pauta e arquivadas”, afirmou Elvio Vargas, um dos líderes do comitê.

José Lucas da Silva, coordenador regional da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) disse também que a situação política do país tornou-se insustentável diante de tantas denúncias de corrupção, envolvendo até o presidente da república, Michel Temer e que por conta disso não tem como também continuar a apreciação dessas reformas. “Esse Congresso e esse governo que estão aí não têm moral para discutir propostas tão importantes dessa natureza, que vão mexer com a vida de todos os trabalhadores Brasileiros”, afirmou.