Dia de Campo sobre ILPF atrai produtores do Brasil Central

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Recuperação de pastagem, melhorias na qualidade do solo, manejo de pragas e doenças, alternativa para redução do desmatamento e estratégia para mitigação dos gases de efeito estufa, algumas das vantagens da implantação dos sistemas integrados em uma propriedade e foram apresentadas no dia de campo sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), realizado nesta segunda-feira, na Embrapa em Campo Grande (MS), durante o primeiro dia da Bienal dos Negócios do Brasil Central.

Para os próximos dez anos, o cenário para os sistemas integrados no Brasil é adotá-los em 10 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas. Com Integração Lavoura-Pecuária, Integração Lavoura-Floresta, Integração Pecuária-Floresta e ILPF pode-se aumentar em cerca de 45 milhões de toneladas a produção de grãos, “com um crescimento anual de 1,5% a 2% na produção de grãos e carne”, prospecta o pesquisador da Embrapa Manuel Motta Macedo.

A expectativa do especialista fundamenta-se dentre outras assertivas nas práticas de incentivo, como “o plantio simultâneo associado ao Sistema Plantio Direto (SPD), herbicidas dessecantes, cultivares seletivas a herbicidas, novas máquinas e técnicas de plantio, novas cultivares e variedades de forrageiras e culturas, possibilidade de uma segunda safra, transferência de tecnologia e crédito e políticas públicas. São estímulos à adoção”. Ademir Zimmer, pesquisador em manejo de pastagens, aproveita e recorda que “o Plantio Direto demorou quase 30 anos para ser sancionado de vez e espera-se que isso não aconteça com os sistemas integrados. O processo é lento, mas diante de benefícios tão óbvios e interessantes não há como resistir por muito tempo”.

Em seu ritmo, as pesquisas avançam e a atenção dos produtores acompanha. “Há um interesse crescente em saber como são e como funcionam os sistemas integrados. De fato, tudo ainda é muito novo e é de fundamental importância a orientação e a capacitação correta estimulando essas novas tecnologias”, aponta o consultor técnico do Sistema Famasul, Clóvis Tolentino. Nos próximos meses, a Embrapa e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) disponibilizarão um curso a distância em ILPF.

O presidente da Organização das Cooperativas do Distrito Federal, Roberto Marazi veio ao dia de campo confiando nesses fatores positivos apontados pelos cientistas e mesmo com o baixo índice de implantação pelos produtores de Brasília-DF e região, ele acredita que com a difusão desse conhecimento e seus diversos ganhos, a tecnologia tomará corpo. Também é essa a realidade do produtor Valdecio Resende de Mato Grosso. Há 30 anos na atividade pecuária e a há três na agricultura, Valdecio vivencia o aumento da produtividade, o melhor aproveitamento do solo e as melhorias na lucratividade da atividade em sua propriedade. “Tive que testar para crer”, afirma.

Durante o dia de campo, mais de 100 produtores, técnicos e consultores de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal conheceram as pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nessa temática, com a participação dos pesquisadores Manuel Macedo, Ademir Zimmer, Valdemir Laura, André Dominghetti e Rodrigo Amorim Barbosa. A 3ª Bienal dos Negócios do Brasil Central continua amanhã, terça-feira, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande (MS).

Redação e foto: Dalízia Aguiar – jornalista Embrapa