EUA liberam importação de carne bovina in natura do Brasil

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Decisão do governo dos Estados Unidos derruba restrição que vigorava há 15 anos. Foto: Arquivo Seprotur-MS

O Ministério da Agricultura (Mapa) anunciou nesta segunda-feira (29/6) que o governo dos Estados Unidos liberou a compra de carne bovina in natura de 13 Estados brasileiros e do Distrito Federal. A medida do goveno norte-americano encerra uma restrição de 15 anos motivada por restrições sanitárias.

A abertura ocorre durante a visita da presidente da República, Dilma Rousseff, aos Estados Unidos. De acordo com o Mapa, a negociação foi concluída na tarde de hoje em uma reunião ministerial em solo americano que teve a participação da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, membro da comitiva do governo. De acordo com o Mapa, a expectativa é que em cinco anos o Brasil possa exportar 100 mil toneladas de carne bovina para os norte-americanos.

A decisão contempla as unidades da Federação que estão livres de febre aftosa com vacinação: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Tocantins, Rondônia, São Paulo e Sergipe. Atualmente, o Brasil exporta apenas carne processada(industrializada) para o mercado americano.

Na avaliação do ministério, a decisão é importante não apenas pela abertura do mercado em si, mas também como uma sinalização para outros países. Os norte-americanos são reconhecidos pela severidade em relação à análise de produtos para o seu mercado doméstico.

“Temos que persistir obstinadamente em praticar uma defesa agropecuária de forma permanente. Vamos trabalhar para que o Brasil se situe entre os cinco países do mundo como referência agropecuária”, afirmou a ministra Kátia Abreu, em nota divulgada pelo Ministério.

Outros mercados

Para Kátia Abreu, a decisão dos Estados Unidos equivale a “ter uma senha” de acesso a outros mercados. “É o céu que se ilumina”, disse a ministra que, ainda nesta semana, deve visitar o Japão, onde pretende concluir negociação para acabar com o embargo do país ao produto nacional.

A expectativa é de abrir o mercado japonês à carne processada e in natura brasileira. Além da carne, a ministra espera a liberação de produtos como melão e manga para o país. A contrapartida é que os japoneses possam vender acarne de Kobe (wagyiu) para o Brasil.

Além do Japão, o governo federal está concluindo negociações com a Arábia Saudita. Neste mês, audidores da defesa sanitária saudita visitaram estabelecimentos brasileiros de produção de carne bovina e de aves. Eles devem apresentar um relatório em até 45 dias para o Ministério da Agricultura. Os técnicos têm 35 dias para responder ao documento, se houver solicitação.

O Brasil também espera o retorno dos embarques de carne brasileira para a China. O país suspendeu o embargo ao produto nacional no início deste ano. Auditores chineses que estão no Brasil analisam, por amostragem, 13 estabelecimentos de carnes bovina, suína e de aves. A expectativa é de que nove plantas de carne bovina sejam habilitadas ainda neste ano. Cada estabelecimento pode fazer negócios de US$ 18 a 20 milhões, de acordo com o Mapa.

Final rule

Nesta terça-feira (30/6), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve publicar o comunicado oficial em que reconhece o status sanitário do rebanho bovino brasileiro. O Docuemento, conhecido como Final Rule, é necessário para a importação de carne in natura do Brasil.

Segundo o Mapa, entre janeiro e maio deste ano, o Brasil exportou US$ 139,89 milhões em carne bovina para os Estados Unidos. Do total do valor, 138,81 milhões foram de carne processada enquanto as miudezas registraram US$ 1,08 milhões. Em 2014, Brasil exportou US$ 229,16 milhões de dólares em carne bovina.

Autoria: Raphael Salomão