Linguiça de Maracaju recebe o aguardado selo de origem

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Com apoio do Sebrae, produtores da linguiça mais famosa de Mato Grosso do Sul estão protegidos contra falsas indicações de origem e produtos de qualidade inferior

Maracaju, distante 160 km de Campo Grande, capital sul-mato-grossense, possui história singular que une tradição a um produto com alto valor agregado – a linguiça de Maracaju. Nesta semana, produtores da iguaria comemoram o registro de Indicação Geográfica (IG) que garante a proteção contra falsificações de origem e produção. O processo teve o apoio do Sebrae e começou com estudo detalhado do produto, levantamento de dados e a documentação necessária para o registro da linguiça no INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

No revés dos tipos comuns de linguiças existentes no varejo, a específica desta localidade leva em sua composição cortes bovinos de primeira linha, tais como coxão mole, alcatra, picanha, contrafilé, filé mignon, ainda temperos regionais e modo exclusivo de produção. O processo foi originado por necessidade: famílias colonizadoras de Maracaju, oriundas de Minas Gerais e Goiás no final do século 19, precisavam conservar os cortes bovinos nobres durante as viagens por meio de carros de boi em jornadas que duravam em média 6 meses – antes da invenção de refrigeradores.

assada

A história da receita secular culminou na solicitação de Indicação Geográfica (IG) – usada para apontar a origem de produtos ou serviços quando o local tenha se tornado conhecido ou quando determinada característica/qualidade do produto ou serviço se deve à sua origem. O INPI analisou a documentação que comprovou a autenticidade da linguiça de Maracaju. O município que deu origem ao produto exclusivo possui tradição na agropecuária e também é conhecido pela renomada Festa da Linguiça de Maracaju. Neste ano, a 21ª edição reuniu milhares de visitantes e comercializou cerca de 20 toneladas do produto.

Patrimônio cultural gastronômico de MS

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Para o produtor mais conhecido da iguaria em Maracaju, Gerson Marcondes, a aquisição do IG é inestimável. “É uma sensação muito boa! Após cinco anos de luta e incertezas, conquistamos algo que será um patrimônio para os nossos descendentes e para a região.” Aos 80 anos e meio (como fez questão de frisar), o produtor relembra momentos em que a linguiça de Maracaju fez parte de sua memória afetiva. “Quando me casei há 48 anos, um parente meu, um dos precursores da receita, Joaquim de Souza, foi o responsável por fazer a linguiça para a festa. Então perguntaram o nome e ele respondeu na hora: essa é a linguiça de Maracaju.” Seu Marcondes também foi reconhecido em 1997 pelo Guinness Book – livro dos recordes – por produzir a maior linguiça já fabricada até então: 32,5 metros de comprimento, sem emendas.

IG – O registro de Indicação Geográfica é conhecido há muito tempo em países com grande tradição na produção de vinhos e produtos alimentícios, como França, Portugal e Itália. No Brasil, a Lei da Propriedade Industrial 9.279 foi promulgada no dia 14 de maio de 1996. Com o selo de origem assegurado, produtores da autêntica linguiça de Maracaju agora contam com a agregação de valor ao produto e a melhora de qualidade nas ações da cadeia produtiva, além de valorização do território e do know-how local em elaborar um produto com tipicidade específica, facilitando o marketing e acesso a novos mercados.

Valorização no mercado

Pequenos produtores do município devem se beneficiar com o selo de origem da linguiça de Maracaju como estratégia indispensável no âmbito da visibilidade e competitividade. A certificação confere a proteção do patrimônio municipal e econômico da região, dos produtores locais e dos consumidores que passam a adquirir o produto com procedência, o que contribui para a geração de emprego e renda e para a preservação das particularidades do produto.

Gilson Marcondes, filho de Gerson e presidente da Associação dos Produtores da Linguiça de Maracaju (APTRALMAR), comemora a obtenção do selo. “O sonho se tornou realidade. Muitos diziam que era ilusão, difícil de obter e de alto custo, mas enfrentamos os desafios e hoje ele é real.”

Para o presidente da APTRALMAR, o apoio de diversas instituições, entre elas, o Sebrae, foi fundamental para indicar os caminhos e auxiliar na documentação exigida. “Tivemos ajuda com a papelada, mas também trabalhamos muito na divulgação e acreditamos que seria possível. Hoje é uma vitória”, celebrou.

Jornalismo – SebraeMS