Menor flagrado em coma alcoólico em festa open bar recebe alta do hospital

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Adolescente foi encontrado em coma alcoólico no salão da festa (Foto: GCM/Divulgação)

Adolescente foi encontrado em coma alcoólico no salão da festa (Foto: GCM/Divulgação)

Segundo a mãe do adolescente, menor bebeu 1 litro de vodca pura.
Polícia Civil de Itapeva começará a ouvir depoimentos nesta 4ª feira.

O adolescente de 13 anos que foi fotografado desacordado e em coma alcoólico durante uma festa “open bar”, no fim de semana, recebeu alta da Santa Casa de Itapeva (SP) na segunda-feira (27) e passa bem. Em entrevista ao G1, a mãe do menor afirmou que ele bebeu 1 litro de vodca pura com gelo.

A empregada doméstica de 49 anos diz que no hospital o filho contou estar arrependido. “Ele disse que nunca mais iria beber, que agora sairá só para comer lanches. Me contou ainda que bebeu antes mesmo de chegar à festa e que tomou só vodca, mas quatro copos. Ele negou ter usado qualquer tipo de droga”, afirmou.

O adolescente precisou de atendimento na Santa Casa da cidade, após o Conselho Tutelar e a Guarda Civil Municipal (GCM) fecharem a festa. A mãe do menor conta ainda que o orientou diversas vezes para que desistisse de ir ao local.

“Quando me chamaram para ir ao hospital de madrugada fiquei desesperada e já comecei a chorar. Foi à festa sem meu consentimento, avisei tanto, mas ele é muito teimoso e desobediente”, disse a mãe do garoto. “Tanto eu, o pai dele, a avó, o tio, todos aconselhamos, lutamos, mas ele não ouve e acha que é adulto. Ele foi para a festa junto com um amigo da rua que tem mais de 18 anos, mas quando precisou, esse amigo sumiu”, afirmou.

‘Susto

A doméstica espera que, com o “susto”, o comportamento do filho mude e que não passe mais por situação semelhante. “É um menino tão inteligente e bonito. Tem notas boas [ele estuda na 7ª série do ensino fundamental em escola pública], não falta nenhum dia. Acho que esse erro aconteceu por causa da revolta normal da adolescência, e também pela má influência dos amigos”, disse a mãe. “Mas ele tem que mudar, pois sabe que é uma inspiração para o irmão mais novo, de 4 anos, que imita tudo o que ele faz”.

Entenda o caso

Mais de 100 adolescentes de 12 a 16 anos estavam na festa, na madrugada de sábado, afirma a GCM. Várias garrafas de vodca e energético, que eram servidas no esquema “open bar”, foram encontradas vazias no lixo.

A festa tinha o nome de “Blackout” e, segundo o Conselho Tutelar, uma adolescente apreendida afirmou que todas as luzes do evento se apagavam de 20 em 20 minutos. Nesse momento, os organizadores anunciavam aos participantes que eles poderiam “fazer o que quisessem”.

Diversas garrafas de bebidas foram encontradas no local (Foto: Divulgação/ GCM Itapeva)
Diversas garrafas de bebidas foram encontradas
no local (Foto: Divulgação/ GCM Itapeva)

De acordo com a Polícia Civil, os depoimentos dos participantes, acompanhados dos pais, começarão nesta quarta-feira (29).

Por enquanto, os organizadores da festa – dois jovens e a associação responsável pelo clube – podem responder pelo crime de fornecimento de bebidas alcoólicas para menores, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), disse o delegado do caso José Carlos Bertolucci. “A divulgação da festa foi feita por meio de rede social e por enquanto ainda não sabemos como funcionou o pagamento ou quanto. Já os pais dificilmente responderão criminalmente, já que provavelmente não sabiam que seus filhos estavam na festa”, afirmou o delegado.

Local interditado

A festa foi promovida em um salão da associação de funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), grupo terceirizado sem vínculos com o órgão. O auto de vistoria do Corpo de Bombeiros e o alvará de licença de funcionamento do prédio estão vencidos desde 10 de maio e, conforme informações do boletim de ocorrência, um jovem de 18 anos alugou o local.

O prédio está interditado até que uma vistoria seja feita no local. Representes da associação da Sabesp ainda não se manifestaram sobre o assunto. Já a Prefeitura de Itapeva afirma que não tinha conhecimento do baile, mas que agora vai apurar os fatos sobre a falta de licença e alvará do prédio, além de encaminhar o caso para a promotoria da Infância e Juventude.

Responsáveis por espaço onde festa ocorreu também são investigados (Foto: Reprodução/ TV TEM)
Responsáveis por espaço onde festa ocorreu também são investigados (Foto: Reprodução/ TV TEM)

G1