Otimismo moderado nas discussões da Bienal da Agricultura

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O agronegócio brasileiro perde continuamente competitividade, tropeçando em gargalos como logística e falta de qualificação da mão-de-obra. Ainda que sustente o crescimento do País e esteja em franca expansão, o setor mede seu crescimento a partir do cenário interno, gerando um balanço positivo deslocado na comparação com países que são referências de desenvolvimento agrícola.

 

Esse foi o tom das discussões da Bienal da Agricultura, evento realizado pelas federações de agricultura e pecuária do Centro-Oeste, nesta sexta-feira (09), em Cuiabá (MT). Em palestras e painéis, o evento colocou em pauta os temas do momento para o setor: logística, mão-de-obra, sucessão familiar nas agroempresas e o uso de biotecnologia no campo.

 

Já na abertura, o sócio da RC Consultores, Paulo Rabelo de Castro, desconstruiu o cenário de otimismo apregoado por muitos. Usou dados do Centro-Oeste, que cresce 40% a mais se comparado ao crescimento brasileiro. Apesar de demonstrar o sucesso do ponto de vista do empreendedorismo, o desempenho não pode ser motivo para comemoração.

 

Onde está o problema? No PIB brasileiro, afirma categórico o consultor. “Nossa base de comparação é um Brasil que não consegue crescer 2% ao ano. Há mais de 20 anos estamos patinando no país. O agro, embora sucesso, é sucesso em meio a um ambiente de relativo fracasso”, desfiou para cerca de mil pessoas presentes no evento, realizado nas dependências da Federação de Agricultura e Pecuária de MT (Famato).

 

Castro classificou o “período Lula” como de falso sucesso, uma vez que registrou crescimento médio de 4% quando poderia ter avançado o dobro.  “Quem pagou metade da conta não merece crédito”, sentenciou. Para o consultor, o ex-presidente se beneficiou do período de alta das commodities e assumiu o ‘milagre’ da recuperação econômica. “O Brasil foi levado por esse milagre e o milagre são vocês. Ele (Lula) deveria vir ao Centro-Oeste para agradecer”, afirmou.

 

 Salientou o acirramento da concorrência internacional afirmando que a China faz movimentos consistentes para desbancar o Brasil em poucos anos. “Kátia Abreu faz trabalho magnífico na CNA, se antecipando ao Itamarati, abrindo escritório na China”, disse.

 

Mediado pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Eduardo Riedel, o painel “O futuro do agronegócio – sucessão e gestão dos negócios” debateu a profissionalização das empresas familiares cuja administração é compartilhada ou transferida de geração para geração. “É preciso distinguir o papel de herdeiro do papel de gestor”, afirmou a Executive Manager do Rabobank, Fabiana Alves. A professora da Fundação Dom Cabral (FDC), Teresa Roscoe, defendeu a adoção de critérios claros como contenção da emocionalidade . “No início há um ideal de harmonia da família, não fica claro que o negócio vai crescer, as demandas e a complexidade vão aumentar”.

 

O economista Alexandre Mendonça de Barros deu um panorama do país no âmbito da mão-de-obra e destacou que a economia nacional registra pleno emprego – as pessoas com relativo nível de qualificação já foram absorvidas pelo mercado – e baixo nível de investimento, tendo como consequência redução do potencial produtivo. “Em dez anos temos que dobrar a produtividade das pessoas para manter o ritmo de crescimento do País”, sentenciou.

 

Logística – Tema destacado pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, na abertura do evento como um dos principais gargalos do setor, a logística foi abordada por meio do Projeto CO Competitivo, um mapeamento conjunto das vias de escoamento da produção utilizadas na região, dos projetos planejados e não executados e das alternativas viáveis de novas rotas em todos os modais. O estudo está sendo realizado pelas federações de agricultura, indústria e comércio e outras entidades e deverá ficar pronto nas próximas semanas.

 

A Bienal da Agricultura é uma realização conjunta das federações da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), MT (Famato), Goiás (Faeg) e Distrito Federal (Fape-DF). Desde a última edição, realizada em Goiás em 2011, o evento é rotativo. A próxima edição será em 2015 e a sede ainda será definida entre Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.