Para Longen, ferrovia Dourados-Paranaguá vai aumentar competitividade dos produtos de MS

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O governador Beto Richa apresentou nesta terça-feira (28), em São Paulo, a proposta de uma nova estrada para facilitar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro pelo Porto de Paranaguá. Os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, também participaram do evento. São Paulo, 28/11/2017. Foto: Jaelson Lucas/ANPr

Daniel Pedra

Ao participar nesta terça-feira (28/11), no Hotel Sheraton WTC, Brooklin Novo, em São Paulo (SP), da apresentação do projeto de implantação de um tronco ferroviário ligando Dourados (MS) ao porto de Paranaguá (PR) pelos governadores Beto Richa (PR), Geraldo Alckmin (SP) e Reinaldo Azambuja (MS), o presidente da Fiems, Sérgio Longen, destacou que esse investimento de melhoria das condições logísticas entre o Estado e o Paraná vai contribuir para garantir a competitividade da indústria, do comércio e do agronegócio sul-mato-grossense.

 

“Com certeza, o maior ganho dessa ferrovia será a competitividade dos nossos produtos. Temos um levantamento feito superficialmente que pode dar uma média de R$ 5,00 a mais de ganho ao produtor pela saca de soja, se embarcando na exportação via ferrovia de Dourados. Então é um ganho significativo para o Estado e mais competitividade para os nossos produtos”, analisou Sérgio Longen, acrescentando que o diretor-presidente da Ferroeste, João Vicente Bresolin, apresentou o projeto para a iniciativa privada, buscando parceiros.

 

“Na verdade, trata-se de uma oportunidade clara de PPP (Parceria Público Privada), via Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), que estipula 60 dias para adesão de investidores ao projeto de viabilidade econômica. As empresas podem conhecer o projeto e apresentar os seus projetos de parcerias com a Ferroeste, que é controlada pelo Governo do Paraná e é uma ferrovia que vai sair de Dourados a Guaíra, Guaíra a Guarapuava e Guarapuava a Paranaguá”, reforçou.

 

O presidente da Fiems ressalta que o governador do Paraná, Beto Richa, apresentou também novas oportunidades de investimentos em parceria com a iniciativa privada de novos portos no Paraná. “Ele anunciou ainda o aumento do calado operacional (profundidade máxima que os navios podem atingir quando totalmente carregados – do Porto de Paranaguá de 8 para 14 metros. Estamos vendo que a logística vem sendo debatida e vem sendo criados projetos que, de certa forma, beneficiam a iniciativa privada. É nessa linha que nós entendemos que vamos progredir, ou seja, com o Estado diminuindo suas ações e dando oportunidades para a iniciativa privada avançar em projetos que sejam viáveis. Por isso, temos uma viabilidade muito boa para esse projeto da ferrovia”, avaliou.

 

Para o governador Reinaldo Azambuja, o projeto de implantação de um tronco ferroviário ligando Dourados ao porto de Paranaguá é uma conquista para todo o setor produtivo de Mato Grosso do Sul. “É com grande motivação que participamos do lançamento desse projeto ferroviário que vai, sem dúvida, expandir a fronteira do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro e contribuir com a afirmação da economia brasileira. Não temos dúvida que a Ferroeste nos permitirá preparar Mato Grosso do Sul e o Paraná como uma das principais fronteiras do agronegócio”, disse.

 

Ainda segundo o governador, para Mato Grosso do Sul, que está no eixo da rota de integração latino-americana, abre-se a perspectiva de implantação, em menor tempo, do corredor ferroviário bioceânico, interligando os portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP) aos terminais chilenos de Antofagasta, Mejillones, Iquique e Arica, e Ilo, no Peru. “Os investimentos na Ferroeste não significarão apenas um suporte fantástico à expansão das fronteiras de produção de alimentos, com o fortalecimento da economia, mas também, progresso social, melhor qualidade de vida urbana, ampliando as oportunidades com geração de emprego e renda”, afirmou.

 

“Fazendo esse modal a gente integra uma região extremamente produtiva. Juntos, Mato Grosso do Sul e Paraná são responsáveis por cerca de 30% de toda a produção de grãos do País. A previsão é termos a redução do custo de transporte em cerca de 30%, ligando essas duas importantes regiões produtoras do País”, destacou o governador do Paraná, Beto Richa, sobre a malha ferroviária, apontada como a mais econômica. “A nova estrada de ferro é uma iniciativa para expansão e modernização da infraestrutura ferroviária do Paraná e estratégica para o desenvolvimento do Estado. Realizamos grandes investimentos no Porto de Paranaguá, que está preparado para expandir ainda mais as suas atividades”, finalizou.

 

Novo trecho

 

O novo trecho ferroviário, de cerca de 1.000 quilômetros, vai ligar a região de Dourados (MS) ao Porto de Paranaguá, no litoral paranaense, com valor estimado para a construção da ferrovia de R$ 10 bilhões. Para a execução do projeto do novo ramal, o Governo do Paraná lançou um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Trata-se de um edital público de chamamento, elaborado pela Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral destinado a empresas interessadas na elaboração de estudos técnico-operacionais, econômico-financeiros e ambientais para a construção e exploração de serviços ferroviários.

 

O trecho 1 da nova ferrovia ligará Guarapuava (PR) ao Porto de Paranaguá e terá 400 quilômetros de extensão, enquanto o trecho 2, que já é uma concessão da Ferroeste, será a extensão da linha de Guarapuava até Dourados (MS), passando por Guaíra (PR), com a construção de mais 350 quilômetros de trilhos. No trecho de Mato Grosso do Sul, a Ferroeste será interligada ao ramal da ferrovia Rumo, que liga Itahum (Dourados) a Maracaju, Sidrolândia, Campo Grande e aos extremos leste (Três Lagoas) e oeste (Corumbá).

 

O projeto prevê ainda a revitalização do traçado de 250 quilômetros já existente e operado pela Ferroeste entre Guarapuava e Cascavel, sendo que esse trecho também será subconcessionado. O traçado da nova ferrovia não poderá utilizar a malha operada pela Rumo, nem mesmo a sua Faixa de Domínio, proporcionando um impacto direto na melhoria dos serviços logísticos.

 

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam a capacidade ociosa e ocupada por trecho em cada ferrovia do País. No caso do Paraná, os dois maiores gargalos logísticos ferroviários estão entre Curitiba e Paranaguá e Guarapuava e Ponta Grossa. O Porto de Paranaguá, o segundo maior do Brasil, movimentou em 2017 quase 50 milhões de toneladas, entre importação e exportação.

 

Deste total, 80% das cargas foram transportadas pelo modal rodoviário. O trem responde por 20% do volume – cerca de 9 milhões de toneladas. Até 2030, o total de cargas que passará pelo porto vai atingir 80 milhões de toneladas, segundo projeção do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do terminal paranaense, elaborado em 2012. Sem novos investimentos, o volume de transporte ferroviário deve continuar no mesmo patamar de hoje, reduzindo para 11% a participação do modal na produção total do Porto.

 

Serviço – O edital de chamamento poderá ser acessado no site novaferroeste.pr.gov.br