Sindicato Rural de Maracaju promove caravana com visitações à Fundação Nishimura em Pompéia-SP

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Lucas Coppeti

Fundador da Jacto, Shunji Nishimura construiu um complexo educacional que já formou pelo menos mil técnicos em agricultura nos últimos anos.

Promover o conhecimento de métodos diferenciados na educação de crianças e jovens. Esse foi o objetivo da caravana do Sindicato Rural de Maracaju, formada por produtoras rurais, profissionais de educação e vereadores durante a visitação ao complexo de educação da Fundação Nishimura, localizado no município de Pompéia-SP.

Os princípios metodológicos inovadores da Fundação Nishimura defendem que o aluno tenha controle e responsabilidade pelo próprio aprendizado, propondo um modelo de autonomia ao estudante. O método é inspirado na experiência canadense liderada há 25 anos pelo educador Thomas Rudmik.

Em linhas gerais, o método da aprendizagem profunda abandona conceitos tradicionais, mas não a base curricular de conteúdos estabelecida pela legislação brasileira. Os estudantes aprendem os conteúdos de forma diferenciada, em projetos conhecidos por jornadas temáticas, onde não há divisão por matérias, por exemplo, mas todas elas são interligadas ao serem ensinadas através de grandes temas e projetos multidisciplinares orientados pelos professores.

A vice-presidente do Sindicato Rural de Maracaju, Ana Nery, explica o objetivo da instituição em levar a caravana para as visitações. “A nossa percepção é que esse modelo de educação da Fundação Nishimura vem de encontro as oportunidades que essas crianças e jovens terão no futuro, baseada na economia da nossa região que é pautada principalmente no agronegócio. A região onde o método é aplicado possui o maior índice de aprovação em educação no mundo. Com a ida da caravana até o centro de educação em Pompéia, conseguimos mostrar ao núcleo de mulheres do agro, vereadores, professores e coordenadores de educação que é possível sim aplicarmos esse conhecimento na nossa região, preparando a partir de agora nossas crianças para este futuro tão próximo”.

Ainda segundo Ana Nery, a visita foi a oportunidade de multiplicar conhecimento, aprendizado, possibilitando que Maracaju tenha uma educação inovadora que leva o aluno e professor a viverem experiências de conquistas juntos. Uma metodologia que trabalha com o caráter, autoconhecimento e autoafirmação. “Quando aconteceu o primeiro contato com o Grupo Nishimura, em 2015, numa palestra de sucessão familiar no Sindicato Rural, fomos convidados para conhecer o grupo em Pompéia-SP, e vendo as ações deles em educação nos acendeu uma preciosa chama, despertando-nos a desafiarmos o Joel Braga, filho de coração do Thiago e Maria Carolina Caminha a estudar lá. Em agosto de 2016 Joel já estava matriculado, onde fomos acompanhando anualmente o desenvolvimento da metodologia que estava sendo implantada. Em 2018 saíram os primeiros resultados dos alunos do ensino médio, com 12 pontos em redação, números acima da média nacional, confirmando assim a qualidade do ensino”.

Cláudia Nogueira, gerente do Sindicato Rural de Maracaju, uma das incentivadoras do projeto dá detalhes sobre a fundação.  “São aproximadamente 5 mil metros quadrados de área planejada construída no complexo da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, espaço que hoje é abrigado e mantido por meio de parcerias, cursos técnicos e cursos superiores. O trabalho é feito em cima da criatividade, colaboração, disciplina, solidariedade, respeito e responsabilidade do aluno. Cada vez que visitamos a fundação, saímos de lá encantados e com a vontade cada vez maior de proporcionar isso aos nossos estudantes de Maracaju”, explica.

A professora Sandra Barbosa, coordenadora da Escola Manoel Ferreira de Lima revelou que “conhecer a fundação foi enriquecedor pessoal e profissionalmente. Lá presenciamos a humildade da família Nishimura em aplicar os princípios da valorização do ser humano e da família na educação, além de outros métodos diferenciados que aproveitam o melhor de cada estudante”, conclui.

A caravana contou com a presença do grupo de mulheres do Agro do Sindicato Rural de Maracaju, professores e coordenadores da rede particular, estadual e municipal de ensino e dos vereadores Nenê da Vista Alegre, Toton Pradence e Marinice Penajo.

SOBRE A FUNDAÇÃO

Em 1979 o fundador da Jacto, Shunji Nishimura semeava mais uma de suas obras. De imigrante pobre, que veio do Japão apenas com sonhos e esperança, trabalhou como bóia-fria na colheita de café, foi garçom e mecânico.

Após ter construído uma das maiores fábricas de pulverizadores agrícolas do mundo começou a investir na formação de jovens para trabalhar na agricultura. Quando todos achavam que tinha cumprido sua missão. Mostrou que não estava satisfeito.

Resolveu retribuir ao Brasil e á agricultura por tudo que lhe ofereceram. Através da Jacto criou a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FNST) e, em 1982, inaugurou o Colégio Técnico Shunji Nishimura; em 1989 o Colégio Shunji Nishimura; em 2005 a Escola Profissionalizante Chieko Nishimura e ainda um Museu, onde registra toda a trajetória do próprio fundador, da Jacto e da Fundação.

Após três anos de estudos e de vivência na Fundação, os alunos do curso de Técnico em Agricultura, já são mais de 1000 alunos formados que conheceram uma nova filosofia de vida: a filosofia Nishimura, que entre o Japão e o Brasil soma mais de cinco séculos de conhecimento e tradição.

Assim, enquanto muitos continuam sendo preparados, esses homens estão aplicando e transmitindo os conhecimentos para os Campo da agricultura e da vida.