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POLITICA

Universitários recebem com ceticismo medidas anunciadas pela presidente Dilma

Depois do anúncio da presidente Dilma Rousseff sobre os pactos para mudar o país, o Midiamaxfoi à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para ouvir as opiniões dos universitários que engrossaram as manifestações contra a corrupção e pediram melhorias na saúde, educação e transporte público. Os acadêmicos de vários cursos se dividiram quanto às intenções da presidente e afirmaram que as propostas devem ser bem estudadas antes que uma ação seja tomada.
No entanto, a maioria acredita que os métodos anunciados pela presidente não ajudarão o Brasil a curto prazo, como deseja as autoridades políticas. “É preciso tomar muito cuidado com a reforma política. Ela pode ser uma coisa boa, mas, ao mesmo tempo, pode ser muito perigosa”, disse a acadêmica de Letras Ana Espinosa, de 20 anos.
Para a jovem, quem estudou a reforma política no Brasil sabe o quanto o assunto é delicado e complexo. Ela disse que é a favor de mudanças, “afinal, elas são necessárias”.  Ana ainda opinou dizendo que as manifestações de rua mostram que o povo tem a força política e deve ficar em cima dos governantes para que mudanças sejam conquistadas. 
Já Larissa Melo, de 21 anos, também acadêmica de Letras, classificou como utopia o desejo de Dilma. “Os pactos são válidos, mas para a realidade do Brasil não é possível. Ela poderia ter proposto passos iniciais, como a valorização do que o país já tem. Agora, ela quer mudanças que começam do grande para o pequeno”, afirmou.
Como exemplo, a jovem citou o setor de educação. Para Larissa, que veio transferida do Rio de Janeiro (RJ), os Institutos Federais têm um modelo de educação funcional. “Mas aqui em Campo Grande, o prédio do IFMS está largado”. Já a questão do ensino médio, “os alunos poderiam sair da escola com cursos técnicos, que é uma área que está em expansão. Percebo que os alunos saem muito crus desse ensino”, opina.
A respeito do plebiscito, a jovem diz que tem lembranças ruins de experiências passadas, como o plebiscito do armamento. “O povo pode votar sobre o porte de arma e não deu certo. Quantas pessoas morreram por essa questão do armamento depois disso?”, indaga. “Nos resta ter esperança de que esse plebiscito possa ser válido”, conclui.
Para Denise Estigarribbia, de 18 anos, que é acadêmica de Engenharia Civil, o anúncio das prioridades de Dilma atende as reivindicações populares. “Ela ouviu opinião das ruas e está tomando medidas para administrar de forma justa. Com o plebiscito, toda a população pode ser ouvida e não só aquela parte que tem coragem de ir às ruas protestar”, acredita.
Já Cleucir Viegas, de 21 anos, acadêmico de Engenharia Elétrica, acredita que o discurso de Dilma por melhoras nos serviços públicos, transporte, educação, saúde e segurança, não passa de repetições. “Eu acho bom, mas se ela fizer. Falar é fácil e não dá para acreditar nessas promessas porque são coisas que ela já prometeu. Então ela pode falar e depois mudar de discurso. Ela também pode ter falado só para minimizar as manifestações”, afirma.
O jovem também falou sobre o plebiscito para fazer uma reforma política no país. Para ele, a atitude da presidente é “ridícula”, já que a Dilma está jogando as decisões para o povo e não tomando, ela própria, as decisões pelo país. “Ela foi colocada lá para isso”, aponta.
Gabriel Cerdeira, de 22 anos, que é acadêmico de Geografia da Unesp, mas estava na UFMS, disse que o momento é de estudo. “Eu acho alguns pontos importantes, como tornar a corrupção como crime hediondo, destinar os recursos dos roylaties do pré-sal para a educação e idealizar uma reforma política. Mas antes de tudo, tem que ver quais são os interesses políticos dela. O que existe por de trás disso”, diz.
O jovem alerta: “nesse momento de efervescência política, com manifestações nas ruas, é necessário ficar atento a tudo”.
Outra jovem que não se agradou das propostas da chefe do Executivo Nacional foi a acadêmica de Arquitetura, Aline Portela, de 23 anos. Ela disse que se incomodou mais com a importação de médicos estrangeiros. Sobre o plebiscito, a jovem acredita que, a princípio, ele veio para tranquilizar a população. Mas vai depender do que for proposto.
“A maioria da população é ignorante na questão política, de direito e de constituição. Essa mesma parcela foi a maioria dos manifestantes que foi às ruas. Desse jeito, vai ser difícil para a sociedade opinar no plebiscito”, define.
Lislley Raquel Damazio, de 19 anos, acadêmica de Letras, acredita que a intenção da presidente é apenas mascarar a ideia do povo. “A gente sabe que não vai dar em nada, ela não quer a opinião do povo. Isso é mais um jeito dele falar ‘eu estou por vocês’. Mas na verdade, não está não”, pensa.
Já Juliana Ribeiro, de 18 anos, também acadêmica de Letras, acredita que os anúncios de Dilma fazem parte de uma manobra para amenizar os ânimos das pessoas que lutaram contra a corrupção nos últimos dias. “A população se mobilizou. Agora para saber se é preciso fazer a reforma política, o plebiscito é o melhor caminho. A população vai dizer se é necessário. Democracia é isso, é ouvir todos”, afirma.

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