Você sabe por que rimos quando lemos ou assistimos algo engraçado?

Ao escutar uma piada, daquelas que nos fazem disparar a rir, são produzidos na boca uma série de sons vocálicos que duram de 1/16 segundos e repetem a cada 1/15 segundo. Enquanto os sons são emitidos, o ar sai dos pulmões a mais de 100 Km/h.
Diversas teorias já tentaram explicar o que faz com que algo seja suficientemente engraçado para nos fazer rir.
O riso não se refere a um senso penetrante de coisas que estão fora de esquadro ou são incompatíveis. É sobre encontrar uma situação específica que subverte nossas expectativas de normalidade.
Uma gargalhada provoca aceleração dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e dilatação das pupilas.
Os adultos riem em média 20 vezes por dia, e as crianças até dez vezes mais. Rir é um aspecto tão inerente à existência humana que esquecemos como são interessantes esses ataques repentinos de alegria.
Por que as pessoas riem quando escutam uma piada? Segundo o escritor húngaro Arthur Kostler (1905-1983), o riso é um reflexo de luxo, que não possui utilidade biológica.
A análise dos dados sobre o riso também oferece uma hipótese sobre os motivos pelos quais as pessoas se apaixonam por alguém porque “ele nos faz rir.
Não é apenas questão de ser engraçado. Pode ser algo mais complexo. Se o riso de outra pessoa provocar o nosso, aquela pessoa está indicando que podemos relaxar, que estamos seguros – e isso cria confiança.
Se o nosso riso for causado pelas suas brincadeiras, ele tem o efeito de nos fazer superar os medos causados por situações estranhas ou desconhecidas. E, se alguém tiver a capacidade de ser engraçado e isso nos inspirar a superar nossos medos, somos mais atraídos por essa pessoa. Isso pode explicar por que adoramos as pessoas que nos fazem rir.
É claro que, hoje em dia, nós não pensamos duas vezes sobre o riso. Nós apenas desfrutamos dele como uma experiência animadora e pela sensação de bem-estar que ele nos traz.
Por isso, podemos definir o riso em um processo em três etapas. Primeiramente, ele exige uma situação que pareça estranha e induza um senso de incongruência (pânico ou transgressão). Em segundo lugar, a preocupação ou tensão provocada pela situação incongruente deve ser trabalhada e solucionada (resolução).
E, por fim, a efetiva liberação do riso age como uma clara sirene para avisar às pessoas próximas (alívio) que elas estão seguras.
O riso pode ser também um sinal empregado pelas pessoas há milênios para demonstrar aos demais que a reação de lutar ou fugir é desnecessária e que a ameaça percebida já passou. É por isso que o riso, muitas vezes, é contagioso: ele nos une, faz com que fiquemos mais sociáveis e sinaliza o fim do medo ou da preocupação. O riso reafirma a vida.
Talvez rir tenha evoluído para se tornar um importante símbolo de brincadeira, um sinal de que estamos nos divertindo – e de que ninguém ficará machucado, não é nada sério.
Há inclusive uma teoria sobre o que acontece com a comédia: as pessoas usam a comunicação de uma forma divertida, e é por isso que rimos.
Rir faz bem! Mas, na verdade, o benefício de uma boa gargalhada vem antes: ela é o reflexo da sensação de felicidade, como quando acontece algo legal e divertido no seu dia. Esse tipo de situação faz com que o organismo libere substâncias, como a adrenalina, serotonina e a dopamina, que deixam você motivado e alegre. Essas substâncias criam sensação de bem-estar, deixam você mais relaxado e espantam sentimentos ruins.
Muitas vezes, o humor é usado em ambientes hospitalares para ajudar os pacientes na sua cura, como demonstraram estudos de terapia com palhaços. O humor também pode melhorar a pressão sanguínea e as defesas imunológicas, além de ajudar a superar a ansiedade e a depressão.
Karla Neto
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