Você sabia que as moscas podem transmitir doenças?

Musca domestica, conhecida pelos nomes comuns de mosca-doméstica, mosca-de-casa, é uma espécie de díptero braquícero da família Muscidae. É um dos insectos mais comuns e uma presença habitual na maioria dos climas da Terra.
Alimentam-se de fezes, escarros, secreções, produtos animais e vegetais em decomposição e açúcar, entre outros. A mosca não consegue ingerir nada sólido, somente matéria na forma líquida; por isso, lança sua saliva sobre o alimento para poder digeri-lo e, posteriormente, ingeri-lo.
As moscas podem transmitir doenças porque estão em contato constante com materiais em decomposição, como fezes ou sujeira, transportando bactérias e parasitas capazes de causar algumas doenças, como infecção intestinal, miíase, loíase, doença do sono e virose da mosca.
Algumas doenças transmitidas por moscas não são tão comuns no Brasil, pois são encontradas mais facilmente em países Africanos, no entanto a infecção intestinal, por exemplo, pode ser causada por moscas-domésticas e, por isso, é importante evitar o consumo de alimentos que possam ter entrado em contato com as moscas, já que elas podem carregar alguns microrganismos em seu corpo.
Na presença de sinais e sintomas indicativos de doença causada por moscas, é importante que o médico seja consultado para que possa ser feita a avaliação e iniciado o tratamento mais adequado.
1. Miíase
A miíase é uma doença em que há infestação de larvas de moscas nas pele, podendo acontecer em qualquer parte do corpo, como pé, ouvido, boca e nariz, por exemplo, resultando no aparecimento de feridas abertas com pus e mau cheiro. Essas feridas surgem porque as larvas das moscas alimentam-se de tecidos vivos ou mortos.
Dependendo da espécie da mosca responsável pela miíase, a larva pode permanecer mais superficialmente na pele, ou penetrar, resultando em infecções mais graves e que devem ser tratadas imediatamente para prevenir complicações. Conheça mais sobre a miíase humana.
O que fazer: É fundamental que o médico seja consultado assim que surgirem os primeiros sinais de miíase para que o tratamento mais adequado seja iniciado. Na maioria dos casos, é realizada a catação das larvas, o que pode causar dor e desconforto, além do uso de medicamentos antimicrobianos com o objetivo de prevenir infecções secundárias.
Nos casos mais graves, em que a larva conseguiu penetrar a pele, pode ser indicada a realização de cirurgia para retirar a larva e, em alguns casos, realizar em seguida uma cirurgia para reconstituição do tecido.
2. Doença do sono
A doença do sono, também chamada de tripanossomíase africana humana, é uma doença causada pela picada da mosca Tsé-tsé infectada pelo parasita Trypanosoma brucei gambiense ou Trypanosoma brucei rhodesiense, resultando no desenvolvimento de sintomas algumas semanas após a picada da mosca, como manchas vermelhas na pele que depois podem se transformar em feridas, dor de cabeça, febre, aparecimento de ínguas e sono excessivo.
O sono excessivo é normalmente indicativo de casos mais graves de tripanossomíase, isso porque os sintomas das fases mais iniciais da doença são comuns a outras doenças, o que dificulta o diagnóstico e início do tratamento. Dessa forma, como o parasita não é eliminado, há maior chance do sistema nervoso ser afetado, resultando em alterações do sono, confusão mental e alteração no comportamento.
O que fazer: Na suspeita da doença do sono, é importante que o médico seja consultado para que sejam feitos exames que confirmem a infecção pelo Trypanosoma brucei. Após o diagnóstico, o médico pode indicar o uso de alguns remédios para controlar os sintomas e favorecer a eliminação do parasita. É fundamental que a pessoa seja monitorada regularmente, sendo importante que sejam feitos exames para verificar a eficácia do tratamento e garantir que a doença não volte a acontecer.
3. Loíase
A loíase, popularmente conhecida como bicho ou verme de olho, é uma doença infecciosa causada pela larva Loa loa, que é depositada na pele pela mosca da manga, muito encontrada na África. Assim, após a deposição, as larvas passam a se alimentar do tecido e se dirigem para o local principal de infecção, que corresponde aos olhos, causando sintomas como dor, irritação e vermelhidão dos olhos, podendo também ser visualizada no globo ocular.
O que fazer: É importante que o oftalmologista seja consultado para que seja possível iniciar o melhora tratamento, que normalmente envolve o uso de medicamentos anti-inflamatórios, antiparasitários e/ou corticoides. Nos casos mais graves, em que é possível notar a presença da larva no olho, pode ser indicada a realização de um pequeno procedimento cirúrgico para a sua remoção.
4. Virose da mosca
A virose da mosca, como é popularmente conhecida a doença diarreica aguda, é uma situação mais frequente durante os períodos de chuva de verão, em que as moscas e outros insetos conseguem se proliferar e entrar em contato com vírus, que podem ser passados para os alimentos. Conheça mais sobre a virose da mosca.
Assim, quando uma pessoa consome alimentos que tiveram contato com os insetos contaminados, podem desenvolver alguns sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, cólica abdominal e dor no corpo, por exemplo.
O que fazer: Os sintomas da virose da mosca normalmente melhoram em até 2 dias, não sendo necessário realizar tratamento específico. Nesse caso, é importante ficar em repouso, beber bastante líquidos e ter uma alimentação leve e de fácil digestão, pois assim é possível favorecer a recuperação do corpo.
5. Infecção intestinal
As moscas possuem predileção por alimentos em decomposição e, por isso, podem entrar em contato com diversos microrganismos, incluindo bactérias e parasitas responsáveis por gastroenterites, por exemplo.
Assim, quando a mosca entra em contato com esses agentes infecciosos, pode transportar para um alimento “limpo”, de forma que quando é consumido pode causar infecção nas pessoas, dependendo da quantidade de microrganismos ali presentes.
O que fazer: Para evitar esse tipo de infecção é importante evitar que as moscas entrem em contato com os alimentos, além de não ser indicado comer o alimento que tenha entrado em contato com a mosca. Caso tenha havido o consumo de alimentos potencialmente contaminados pela mosca infectada e seja notado o aparecimento de sintomas de infecção intestinal, é importante permanecer em repouso, ter uma dieta saudável e de fácil digestão e beber bastante líquidos ao longo do dia.
Fonte: Karla Neto

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