TECNOLOGIA

Empresas brasileiras entram na fase da adoção prática de inteligência artificial

Metade das empresas brasileiras já utiliza IA, mas apenas 15% chegaram ao estágio avançado; para CEO da QYON, próximo desafio é transformar experimentação em ganho concreto de produtividade e escala

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma tecnologia restrita a projetos experimentais e começa a entrar em uma nova etapa no mercado brasileiro: a da aplicação prática aos processos de negócio. O movimento aparece nos números. Segundo estudo da Strand Partners, para a Amazon Web Services (AWS), divulgado no mês de setembro, 50% das empresas brasileiras já utilizam IA, ante 40% no levantamento anterior. Entre as empresas que já adotaram a tecnologia, porém, 58% ainda estão em um estágio básico, enquanto apenas 15% chegaram ao nível avançado de utilização.

Essa diferença mostra que a discussão começa a mudar. Mais do que decidir se a empresa deve usar inteligência artificial, executivos passam a precisar identificar onde a tecnologia efetivamente pode melhorar a operação, apoiar decisões e criar capacidade de crescimento.

“Estamos saindo da fase em que a pergunta era ‘como colocar IA na empresa?’ para uma etapa em que a questão passa a ser ‘qual problema de negócio queremos resolver com IA?’. Essa é uma mudança importante, porque a tecnologia, sozinha, não transforma uma empresa. O resultado aparece quando ela passa a fazer parte dos processos e consegue gerar valor mensurável”, afirma Mauricio Frizzarin, fundador e CEO da QYON – empresa norte-americana especializada em Inteligência Artificial e Agentes de IA.

Na visão do executivo, o próprio levantamento da AWS reforça esse desafio. Embora 72% das empresas que utilizam IA relatem ganhos de produtividade, outros 33% dizem confiar na própria capacidade de medir com precisão o retorno dos investimentos realizados na tecnologia, enquanto 28% afirmam ter uma estrutura formal e consistente para medir esses resultados. Para Frizzarin, esse é um dos principais indicadores de maturidade da nova fase da IA. “A empresa precisa começar pela tarefa, pelo processo e pelo resultado esperado. Se a IA apenas responde perguntas ou produz conteúdo, ela pode gerar ganhos de eficiência, mas existe um potencial muito maior quando passa a executar etapas de um processo, acompanhar o que está acontecendo e agir dentro de regras definidas”, explica.

É nesse contexto que ganham espaço os agentes de IA, sistemas capazes de receber objetivos, interpretar informações, executar tarefas em diferentes etapas e acompanhar processos. A pesquisa feita pela AWS mostra que apenas 21% das empresas brasileiras se consideram preparadas para tecnologias de próxima geração, como o uso de agentes de IA. Entre as organizações que já adotaram esse tipo de tecnologia, os ganhos relatados incluem eficiência operacional, decisões mais rápidas e mais capacidade de escala.

Na avaliação de Frizzarin, a mudança também altera a forma como as empresas devem pensar a respeito da produtividade. “A grande oportunidade não está apenas em fazer a mesma tarefa mais rápido, mas em redesenhar o trabalho para que pessoas e agentes de IA atuem juntos. O agente pode assumir o operacional e o acompanhamento contínuo, enquanto as pessoas concentram seu tempo em análise, relacionamento, criatividade e decisão”, destaca o CEO da QYON.

A tendência encontra respaldo também no mercado de trabalho. O estudo global ‘PwC 2026 AI Jobs Barometer’, feito pela PwC, cujo objetivo é analisar o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho, mostra que as competências exigidas nas funções mais expostas à IA estão mudando duas vezes mais rápido que nas funções menos expostas. A análise também aponta que novas tarefas associadas a essas funções têm 2,5 vezes mais probabilidade de exigir competências como julgamento, criatividade e empatia.

Para a QYON, a consequência é que a adoção prática da IA deve deixar de ser encarada como um projeto isolado de tecnologia e passar a fazer parte da arquitetura operacional das empresas. “A discussão sobre IA está amadurecendo. O diferencial, daqui para frente, não será simplesmente ter acesso às melhores ferramentas, mas saber onde colocá-las para que trabalhem a favor do negócio”, conclui Mauricio Frizzarin, CEO da QYON.

Vivian – Scaramella Press

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