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Coren vê no HR: enfermeira fazendo parto, médico em repouso no plantão e falta de pessoal

Relatório do Conselho Regional de Enfermagem do MS (Coren) no Hospital Regional Rosa Pedrossian, datado de 22 de março deste ano, indica que, apesar da inauguração de novas alas de alta complexidade pelo governo estadual no HR, muitos serviços não funcionam, plenamente, por falta de pessoal e gestão.

Um longo relato de 35 páginas cita resultados da inspeção por setor do maior hospital público estadual, sediado em Campo Grande. Especial atenção cabe ao setor pediátrico, no qual o HR é referência estadual do SUS.

No CTI Pediátrico, de alto risco, por exemplo, há relato dando conta de que enfermeiros têm de buscar médicos na sala de repouso e que técnicos de enfermagem de nível médio chegam a fazer os partos.

Segundo o relatório, a inspeção do dia 22 de janeiro constatou  no plantão noturno de 9 horas seguidas na CTI Pediátrica (3º andar), que os enfermeiros têm que se deslocar até outra ala para chamar médicos plantonistas, em repouso.

“No período noturno há dificuldades quando há necessidades de médicos, pois os mesmos vão para a área de repouso (que é em outro espaço físico), e permanecem a maior parte do plantão (em média 9 horas), sendo que quando há necessidade dos mesmos no setor a enfermagem tem que se deslocar várias vezes ao repouso dos mesmos para que voltem ao setor”, descreve o Coren.

E não é só. O relatório aponta que “profissionais de enfermagem referiram que fazem auxílio à cirurgia, e ainda em alguns casos os profissionais de enfermagem de nível médio acompanham a evolução do trabalho de parto normal e a execução do mesmo”.

A direção do Coren enviou à direção do HR a Notificação Jurídica 002/2-13, pediu a imediata remoção destes profissionais da realização destes procedimentos, que deve ser feito por médico obstetra, segundo a própria lei. Os enfermeiros também auxiliam cirurgias.

Além de todos estes relatos relativos às instalações ligadas à Pediatria, o relatório se estende por outro as áreas do HR, como Cardiologia, UTI, Urgência e outros.

Neste locais, o relato do Coren é idêntico: “Constatado que há auxiliares de enfermagem prestando assistência a pacientes críticos” ou “Presença de Auxiliar de Enfermagem nas equipes de UTI, Hemodiálise, Urgência e Emergência e Hemodinâmica”

O Coren pediu que em 60 dias a situação fosse resolvida, prazo ainda em curso.

Leitos de especialidades desocupados

Em mais de um setor que gira no entono da Pediatria, o Coren relatou a existência de leitos desocupados ou desativados.

Um exemplo se refere à ala recém-inaugurada do chamado de ‘Método Canguru’, uma unidade que deveria funcionar com oito leitos para abrigar “os recém-nascidos juntamente com suas mães”, segundo o governo estadual.

No dia da visita, a inspeção do Corem encontrou o setor fechado e sem pacientes. Ainda descreveu que, quando em funcionamento, apenas cinco leitos são usados por falta de enfermeiros de nível médio.

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